Manuel Herreros & Mateo Manaure: mi nombre es Venezuela

27.11.2026 – 4.4.2027

Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP, e Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP

A mostra apresenta o filme TRANS, pioneira produção audiovisual na América Latina a abordar a existência, os corpos e os enfrentamentos de mulheres transsexuais e travestis em Caracas, na Venezuela, em 1982. Em diálogo direto com o curta-metragem, a exposição reúne 75 fotografias realizadas durante as filmagens, expandindo o registro e a memória daquelas vidas.

Com sensibilidade e contundência, o trabalho lança luz sobre as urgências enfrentadas por essa população no entorno da Avenida Libertador, uma das principais vias da capital venezuelana. Temas críticos como a criminalização do trabalho sexual, a violência de gênero, a marginalização institucional, os impactos da crise da AIDS e o sofrimento psíquico decorrente da exclusão emergem a partir de entrevistas com as próprias protagonistas e outros setores da sociedade civil. Ao tensionar diferentes discursos, a obra desnuda a engrenagem de preconceito e perseguição sistêmica sofrida por essa comunidade.

Longe de adotar um distanciamento documental frio, o projeto propõe uma estreita colaboração poética e política entre diretores e atrizes. Essa cumplicidade transborda para as imagens fotográficas, que capturam instantes de profunda intimidade, vulnerabilidade e resistência coletiva. Após décadas praticamente invisibilizado, o filme TRANS foi recentemente remasterizado e exibido em instituições internacionais como o Bard College (Nova York) e o Institute for Studies on Latin American Art (ISLAA). Este último doou o filme ao acervo do MASP, que também recebeu o conjunto fotográfico como doação do diretor Manuel Herreros.

A mostra insere-se no ciclo Histórias latino-americanas e dialoga com mostras anteriores do museu, como Histórias da sexualidade (2017), Histórias das mulheres, histórias feministas (2019), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Gran Fury: arte não é o bastante (2024), reiterando o compromisso do MASP com a pluralidade de narrativas, a crítica institucional e os debates em torno de gênero, sexualidade e representatividade nas artes visuais.

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