
O Libras no Museu: grupo de estudos foi criado com o objetivo de consolidar as sinalizações em Libras utilizadas pelo MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand —, em diálogo com os eixos temáticos que orientam sua programação pública, suas exposições temporárias e sua coleção. Considerando um programa estruturado em torno das histórias — sempre plurais e relacionadas a questões contemporâneas, incluindo diferentes pautas identitárias —, torna-se fundamental que a equipe do museu participe continuamente de debates sobre os usos, as variações e as transformações da Libras.
Esta iniciativa busca ampliar as reflexões desenvolvidas pela área de Mediação e Programas Públicos do MASP, promovendo o encontro entre integrantes da comunidade surda e profissionais de instituições culturais. O objetivo é discutir e sistematizar vocabulários em Libras relacionados aos museus, às exposições e às práticas artístico-educativas. Ao invés de fixar ou normatizar sinais e conceitos, a proposta visa promover um espaço ampliado de debate e construção coletiva de conhecimento, capaz de favorecer consensos terminológicos, reduzir ambiguidades interpretativas e fortalecer os processos de mediação com e para a comunidade surda.
Em 2026 serão realizados seis encontros conduzidos pelos analistas fluentes em Libras do Museu e por convidados, surdos e ouvintes, que contribuirão para o aprofundamento das discussões. Ao longo do percurso, serão mapeados vocabulários e variações linguísticas existentes, interpretações e contextos de uso. Também serão identificados termos e conceitos que ainda não possuem traduções consolidadas em Libras, ou que apresentam ambiguidades, possibilitando a proposição colaborativa de novos sinais. Os conteúdos debatidos serão posteriormente sistematizados e organizados para compartilhamento junto à comunidade, contribuindo para o aprimoramento das práticas de mediação em Libras.
Público-alvo: "Pessoas surdas e ouvintes, com nível avançado a fluente em Libras" e não intermediário.
Período: de 12.8 a 9.12, com encontros mensais, às quartas-feiras, das 19h - 21h
Local: Edifício Pietro, sala 3
Mediadores: Isart Silva e Andressa Samanta, analistas de mediação e programas públicos, MASP
Organização: Andressa Samanta, Daniela Rodrigues e Isart Silva
O encontro tem como objetivo estabelecer conexões com os seguintes ciclos curatoriais do MASP: Histórias Afro Atlânticas (2018), Histórias Brasileiras (2022), Histórias Indígenas (2023) e Histórias Latino-Americanas (2024). Serão aprofundadas discussões sobre racialidade, com uma análise crítica dos vocabulários e termos utilizados em Libras.
Convidadas: Erika Mota e Yanna Porcino
Mediação: Andressa Samanta, analista de mediação e programas públicos, MASP
O encontro tem como objetivo estabelecer conexões com os seguintes ciclos curatoriais do MASP: Histórias da sexualidade (2017), Histórias das mulheres, Histórias feministas (2019) e Histórias LGBTQIA+ (2024). Serão aprofundadas discussões sobre conceitos relacionados a gênero e sexualidade, com uma reflexão crítica sobre as terminologias contemporâneas e seus usos em Libras.
Convidado: Malu Dini
Mediação: Isart Silva, analista de mediação e programas públicos, MASP
O encontro visa aprofundar o debate sobre os conceitos de visitas mediadas, visitas guiadas, visitas monitoradas e visitas educativas, discutindo as diferenças e especificidades de cada termo no contexto museal. Pretendemos refletir sobre as práticas de mediação cultural com públicos surdos, analisando criticamente os vocabulários e terminologias utilizados em Libras nesses contextos.
Convidado: Bruno Ramos
Mediação: Andressa Samanta, analista de mediação e programas públicos, MASP
O encontro visa promover reflexões sobre conceitos relacionados à curadoria, expografia, acervo e montagem de exposições. A partir desses temas, serão aprofundadas as discussões sobre os sentidos, usos e aplicações desses termos em Libras, considerando seus contextos específicos no campo museológico. A atividade terá como referência e conexão as exposições Histórias do MASP e Acervo em transformação.
Convidado: Bruno Vital
Mediação: Isart Silva, analista de mediação e programas públicos, MASP
No último encontro, serão apresentadas as possibilidades de registro audiovisual e a importância de disponibilizar esses materiais em plataformas públicas para ampliar a divulgação das línguas de sinais e fortalecer as pesquisas em museus e espaços culturais. Ao final, será realizada uma avaliação coletiva do percurso formativo, reunindo impressões, aprendizados e sugestões dos participantes.
Convidados: Anne Magalhães e Tito Mota
Mediação: Isart Silva e Andressa Samanta, analistas de mediação e programas públicos, MASP
Este primeiro encontro será dedicado ao acolhimento dos participantes e à apresentação da proposta do grupo de estudos, incluindo os eixos temáticos que orientarão as discussões ao longo dos encontros. Um dos focos principais será a introdução e a revisão de sinais em Libras relacionados ao MASP (ex: MASP, Lina Bo Bardi, Edifício Pietro).
Mediação: Isart Silva e Andressa Samanta, analistas de mediação e programas públicos, MASP
Erika Mota é ouvinte pedagoga, tradutora e intérprete de Libras, é a idealizadora da empresa Mão Preta Libras criada em 2013 sediada em SP atua no campo institucional, cultural e corporativo. Como referência na esfera cultural, atua na tradução de grandes festivais de música e espetáculos teatrais, além de ser uma das pioneiras na tradução de batalhas de poesia falada (Slam) no país. Com forte presença artística, é MC do revolucionário grupo Slam do Corpo. Também foi professora do curso Corposinalizante no MAM e cocriadora do LiteraSurda, evento de literatura no Sesc.
Yanna Porcino é artista surda, poeta, atriz, tradutora, intérprete e consultora de Libras, além de educadora do Museu do Futebol (SP). Atua na promoção da arte e da cultura surda no Brasil, com foco na expressão visual e na acessibilidade. Formada em Letras-Libras pela UFPE, com extensão em Estudos Poéticos em Língua de Sinais pela UFSC. Participou do programa internacional de liderança Frontrunners. Sua trajetória inclui poesia visual e participação em slams desde 2018, em Recife, Brasília, São Paulo e eventos internacionais. No teatro, integrou o elenco de “Caduca” e participou de “A Menina e o Pássaro Encantado”. No audiovisual, atuou como atriz no curta “A Última Sílaba Tônica” (MG, 2024). Atua em projetos de tradução e acessibilidade, como “Musicalidade em Visual” e Slam do Corpo (SP). Colaborou com iniciativas como Projeto Pajubá e Itaú Cultural. É criadora do perfil @meussinaisexpressam.
Malu Dini é surdartevista e consultora de acessibilidade. Desde 2017 produz e atua em projetos culturais voltados para a comunidade surda como tradução e interpretação em libras em festivais de música, contações de histórias, mediações de leitura em libras e transcriações poéticas. Contribuiu na produção de materiais educativos e também nas edições de vídeos acessíveis em instituições como Alura, Cultura Inglesa Festival (CIF), Museu do Futebol, Museu das Favelas, Tomie Ohtake, Casa Museu Ema Klabin e entre outros. É idealizadora do CoMonas e antigo GES-LGBTQIAP+ (Grupo de Sinais LGBTQIANP+). Atualmente, é sócia de Maré Dissidente, onde atua como consultora e intérprete de Libras, além de produzir projetos acessíveis.
Bruno Ramos é ator, dançarino e poeta. É também educador em espaços culturais e professor de Libras. Surdo ativista, luta pelo acesso e pela produção de pessoas com deficiência nos espaços de arte. Trabalhou nos educativos do CCBB-SP/Sapoti, na Bienal de SP e no Museu da cultura Judaica em São Paulo, tendo retornado ao CCBB-SP onde atua no momento. Realiza consultorias de acessibilidade para educativos em diversas instituições como o SESC-SP, Itaú Cultural, IMS-SP e outros.
Bruno Vital é um artista, poeta e educador surdo. Formado em artes visuais, com curso de extensão em Culturas Surdas na Contemporaneidade: Criações e Vivências Artísticas (2019), promovido pelo Itaú Cultural em parceria com o Instituto Singularidades. Atua como educador de acessibilidade cultural no desenvolvimento de ações colaborativas e participativas em diversas instituições, como Sesc, Fundação Bienal de São Paulo, Instituto Tomie Ohtake, MIS–SP. Realizou Utopias fragmentadas: anomalias cotidianas, sua primeira exposição individual em 2016, na Comuna Sagaz (São Paulo).
Anne Magalhães é ouvinte, intérprete de Libras, produtora e educadora, com pesquisa em traduções poéticas e acessibilidade estética. É fundadora da Janela Produtora, que desenvolve projetos de acessibilidade para instituições como MASP, Instituto Tomie Ohtake, Natura Musical, Sesc-SP, IMS e MAM-SP e artistas como Liniker, Rincon Sapiência e Hélio Ziskind. É coautora e performer no curta De Passagem, uma pesquisa sobre acesso e transtornos mentais.
Tito Motta é ouvinte, artista, produtor e pesquisador audiovisual que trabalha na intersecção entre vídeo, arte, internet e acesso. Desde 2019, junto à Janela Produtora, desenvolve projetos de acessibilidade em espaços como Sesc Pompeia, MASP, Instituto Tomie Ohtake, IMS e MAM-SP. É codiretor e coautor do filme De Passagem (2025), fruto das pesquisas em arte e acesso da produtora.
